
Guerra e o Ambiente
Desde de à muitos milhares de anos que os Homens já criavam conflitos entre eles, com armas feitas através de madeira, ossos de animais e tudo mais para se defenderem. Foi muito bom o desenvolvimento das tecnologias, mas ao mesmo tempo foi mau, pois as armas também evoluíram tornando as guerras mais perigosas, destrutivas e mortais. E o pior é que quem acaba por sofrer é o povo inocente, que nada faz se não fugir.
Mas não são só as pessoas que sofrem as consequências, pois as florestas e os seus animais também acabam por ser vítimas dos erros cometidos pelo Homem. Por causa dos Homens os animais perderam os seus habitats, a sua fonte de alimento e também os membros da sua família.
As actividades humanas produzem impactos ambientais sobre o ar, a água , o solo, o subsolo, a paisagem natural…
Para muitas das actividades humanas, a consciêcia ecológica ajudou a criar práticas de redução ou de minimização desses impactos negativos. Leis foram aprovadas e instituições estruturadas. Criaram-se procedimentos e ferramentas para a avaliação dos riscos ambientais. Entretanto, esses cuidados ainda não foram estendidos, à actividade humana potencialmente mais degradante e devastadora do ambiente que é a guerra. Dentro todos, essa é que gera mais consequências negativas e sofrimento para as pessoas e para o meio ambiente. “ De uma maneira geral genocídio e ecocídio são gémeos”.
O alto impacto ambiental negativo das guerras encontra-se presente em todo o ciclo da vida e dos conflitos armados: da extracção de matérias primas para a indústria de armamentos, passando pelo uso e aplicação desses equipamentos, até a sua disposição final, constituida pelos resíduos atômicos, químicos e bacteriológicos. Isso sem falar nas más consequências dos actos terroristas ou impactos de uso de armas biológicas nas guerras convencionais como na possivel propagação intencional do butolismo, da varíola e do antraz. O urânio usado nas balas contamina o ambiente provocando radiotividade, dissemina, o cancro e outras doenças. A contaminação dos rios e a perda de potencial do uso do solo pela disseminação das minas terrestres, que mutilam pessoas e animais, ou o uso da bomba de nêutrons – a chamada “bomba capitalista”, porque destrói a população mas preserva o partimônio material, são outros exemplos de destruição e do potencial de devastação e contaminação ambientais causados pelas actividades bélicas.
O desastre ambiental persiste
Em relação ao meio ambiente, ainda que as taxas de dioxina no solo sejam felizmente baixas, regiões inteiras tornaram-se impraticáveis para os agricultores. Uma vegetação muito pobre, no Vietname de “erva americana”, recobre as zonas de pulverizações. Os solos perdidos para as actividades humanas devem ser reabilitados, tornados novamente aptos para a agricultura.
Florestas e mangues devem ser reflorestados.
Além disso, existem zonas poluídas, onde a dioxina é encontrada em taxas elevadas no solo, sedimentos e em certos lagos. São as regiões onde foram efectuadas pulverizações mais maciças.
Guerras e armas
Milhões de pessoas estão envolvidas em conflitos armados no mundo de hoje. Todo o processo da guerra é destrutivo para o meio ambiente, incluindo os testes de armas, os treinos e exercícios militares, as cápsulas não utilizadas e minas terrestres – todas possuem efeitos devastadores para o meio ambiente. Centenas de milhares de refugiados são forçados a mudar-se para campos de refugiados que causam poluição. Foragidos de guerra frequentemente entram em conflito com a vida selvagem e causam a sua extinção. As guerras civis no Ruanda e no Congo, por exemplo, tem causado problemas enormes para os gorilas que vivem nas montanhas.
Os exércitos demonstram pouca ou nenhuma consideração pelo impacto ambiental causado pela construção de estradas e fortificações, ou pelo desperdício que eles geram. Tanques e tropas destroem a vegetação e causam infertilidade no solo, ao comprimir camadas subterrâneas do mesmo.
Ataques aéreos e combates terrestres têm impacto directo na vida selvagem e nas populações.
Foi estimado que há entre 60 e 110 milhões de minas terrestres espalhadas pelo mundo. Mais de 26.000 pessoas são feridas ou mortas por minas terrestres todos os anos e há números maiores de vítimas entre animais selvagens e domésticos.
Os impactos ambientais causados pelo uso de armas químicas, biológicas e nucleares são catastróficos. Há também grandes riscos ambientais envolvidos na produção e armazenamento dessas armas. Os efeitos causados por armas biológicas, depois de usadas, são irreversíveis.
A radiação produzida pela explosão de uma bomba nuclear e por armas feitas de urânio enriquecido dura milhares de anos.
A discussão mundial sobre os riscos e impactos na saúde humana, animal e ambiental, bem como seus impactos socioeconómicos, estão longe de terminar, pois pouca informação científica foi criada. Parte dessa informação suporta hipóteses de riscos previamente levantados. Assim, em vários casos, já foi constatada a presença de genes de plantas transgénicas em outras plantas e em outros organismos. Portanto, a disseminação de genes tanto para plantas da mesma espécie como para espécies bem diferentes já pode ser considerado um risco real.
Guerras Químicas
Entre 1961 e 1971, o exército norte-americano realizou pulverizações maciças de desfolhantes sobre o Vietname. Pretendia arrasar a cobertura vegetal, para impedir que o adversário se camuflasse, e destruir as colheitas para matar de fome as populações e os combatentes. O segundo objectivo era explícito: como “as operações de guerrilha dependiam estreitamente das colheitas locais para o seu abastecimento, os agentes anti-plantas possuíam um elevado potencial ofensivo para destruir ou limitar a produção de alimento…”
Os desfolhantes continham essencialmente agente laranja, que é a dioxina, um produto químico particularmente tóxico. A quantidade de desfolhantes derramada foi estimada em 2003, por uma equipa de investigadores norte-americanos, em 77 milhões de litros e a dioxina em quase 400 quilos, uma quantidade considerável. A superfície abrangida atingiu 2,6 milhões de hectares (essas superfícies foram “tratadas” em média 5 vezes, e certas zonas receberam até 10 pulverizações sucessivas). Isso representa 10% da superfície do Vietname do Sul e 50% das florestas de mangue. No total, entre 2,1 milhões 4,8 milhões de pessoas, que viviam nas 20 mil aldeias, foram directamente afectadas.
Foi uma catástrofe sanitária e ambiental para o Vietname. E ainda é, porque a dioxina, produto químico muito estável, degrada-se lentamente e integra-se na cadeia alimentar. Os seus efeitos persistem no ambiente e afectam os habitantes das zonas atingidas. Há alguns anos, os líderes vietnamitas, as autoridades locais e as associações humanitárias que actuam no local tomaram consciência desse problema de múltiplas facetas e tentaram ajudar as populações.
O Petróleo
O petróleo e os conflitos parecem gémeos no mundo de hoje. Quando as pessoas pensam em petróleo, em termos gerais, o que vem à mente é ‘progresso e desenvolvimento’. No entanto, hoje, o que vemos e experimentamos é que o petróleo lubrifica as rodas dos conflitos. E esse é o caso nos campos de petróleo em África, onde os interesses económicos e políticos com fins lucrativos estão à frente da importância do ambiente e do bem-estar das populações.
A atracção do petróleo barato tem mantido a exploração por toda a África, desestabilizando governos e dividindo comunidades. O petróleo é barato principalmente porque sua extracção em grande parte do mundo tropical é levada a
cabo de forma pouco preocupada com o ambiente. Portanto os pobres continuam subsidiando os custos do petróleo cru através das perdas que sofrem em serviços ambientais, qualidade de vida e degradação ambiental extrema. Isso resulta em contínuos conflitos de grupos oportunistas bem como em gangues que acham espaço para extrair ganhos financeiros do sistema.
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