terça-feira, 17 de março de 2009

Desastres Ambientais




OS DESASTRES AMBIENTAIS DOS PETROLEIROS


O que é o petróleo?

O petróleo é uma mistura complexa de alcanos, alcenos, cicloalcanos e compostos aromáticos. Antes da refinação, o petróleo é muitas vezes designado por petróleo bruto, que é um líquido viscoso castanho-escuro. Formou-se na crosta terrestre no decorrer de milhões de anos em resultado da decomposição anaeróbica de matéria animal e vegetal por bactérias.
É de assinalar que os petróleos brutos – aqueles que normalmente atingem as praias – parecem ser menos nocivos que os petróleos ligeiramente refinados. Com efeito, os petróleos leves desaparecem, em parte, por diluição ou dispersão em profundidade, contaminando, assim, espécies de organismos marinhos mais numerosos do que se continuassem à superfície.

Acidentes com petroleiros
Os acidentes com petroleiros são uma das mais temíveis agressões ambientais no mar e no litoral. O intenso tráfego marítimo de crude e derivados de petróleo, apesar da imensidão dos oceanos e das rotas marítimas bem definidas, não evitam desastres onde a expressão "acidente" tem mais causas humanas do que azares do acaso.
Todos os meses, algures nos mares deste nosso Planeta Azul, se registam acidentes com petroleiros formando extensas marés negras e afectando ecossistemas únicos, bancos pesqueiros, praias e aquaculturas. Com maior ou menor gravidade - muitas vezes com perda de vidas humanas, os cenários apocalípticos das marés negras provocam, na maioria das situações, efeitos significativos nas aves, peixes e mamíferos marinhos. Sobretudo porque cerca de 90 por centro dos derrames petrolíferos ocorrem em águas portuárias ou nas suas proximidades, onde a vida aquática é muito abundante.
O contacto físico com o crude ou derivados do petróleo provoca a perda da impermeabilidade nas penas das aves e muitas morrem afogadas ou ficam presas até à morte. Para além disso, a ingestão ou inalação de vapores dos hidrocarbonetos provocam danos irreversíveis nos sistemas digestivo, nervoso e respiratório e no fígado de grande parte da fauna aquática, podendo-se ainda registar, nos indivíduos que sobrevivem, problemas reprodutivos. Por fim, não menos importantes, são os impactos negativos nos recursos alimentares, quer pela sua destruição, quer pela sua contaminação. As populações de aves do mar têm sofrido, de tal modo, a poluição dos petroleiros que certas espécies ou subespécies estão em risco de extinção como é o caso dos papagaios-do-mar, dos pinguins e dos mergulhões nas duas costas do Atlântico.
No meio deste mal mundial, Portugal é um dos países cujo litoral é palco frequente de acidentes com petroleiros. Desde meados da década de 70 registaram-se nas nossas costas 22 acidentes graves de poluição com hidrocarbonetos.

Lavagem ilegal dos porões dos navios

Se os grandes acidentes mobilizam as maiores atenções, estão contudo longe de constituírem os únicos problemas ambientais das nossas praias e zonas portuárias. Os incidentes de pequena dimensão são extremamente frequentes, quer devido a lavagens ilegais de porões em alto mar, quer decorrentes das operações portuárias de rotina. O mar português é particularmente afectado pela lavagem de tanques de navios, porque viajando de Norte para Sul as condições climatéricas são melhores, no sentido inverso, os petroleiros sabem que a costa francesa é muito vigiada e se poluírem terão de pagar pesadas multas, o que não acontece em Portugal.
A fiscalização representa então um papel determinante para persuadir os petroleiros infractores, salientando que esta questão não deveria ser negligenciada tendo em conta que o aparecimento de "alcatrão" nas praias é fortemente penalizante para o turismo. Aliás, este problema é bem visível na maioria das praias nacionais, em especial fora da época balnear, obrigando a encargos elevados de limpeza posterior pelas autarquias e concessionários.
Desde 1990 até Junho 1997 fora registados, pela Direcção-Geral da Marinha, 662 incidentes, a quase totalidade envolvendo hidrocarbonetos, dos quais mais de metade verificados nos três primeiros anos da década. Ou seja, uma média de um incidente em cada quatro dias, 35 por cento dos quais sem que se tivesse apurado a sua autoria. Muito destas situações referem-se a pequenos acidentes com válvulas ou fugas durante a trasfega, envolvendo quantidades pouco significativas.
A susceptibilidade de Portugal aos derrames em alto mar é muito grande, tendo em conta que é um dos países com maior ZEE em comparação com o seu território, não só por ser um país litoral mas sobretudo devido aos arquipélagos da Madeira e dos Açores. Por isso a necessidade de uma maior fiscalização dos mares, o que ainda é insuficiente. Não é então surpreendente que, nos últimos 8 anos, em cerca de 55% dos 130 derrames que chegaram a ser detectados na ZEE, os responsáveis nunca foram encontrados.


Processos de limpeza das marés negras


Existem várias técnicas de combate à poluição dos oceanos pelo petróleo: o afundamento, utilização de detergentes e dispersantes, combustão, recolha mecânica e degradação biológica.
A técnica do afundamento tem efeitos nocivos sobre a flora e fauna dos fundos oceânicos. Uma vez afundado, cobre os sedimentos do fundo do mar e destrói toda a vida aí existente no espaço de alguns meses.
Também não muito aconselhável é o sistema de detergentes que consiste na dissolução do petróleo. Os detergentes espalham-no, permitindo a dissolução das porções mais tóxicas que atingem grandes concentrações. Este processo não se revelou muito eficaz, pois o complexo petróleo-detergente é mais tóxico que o petróleo isolado, e a sua biodegradação são mais lentos.
A combustão consiste em queimar o petróleo como forma de o eliminar, mas as altas temperaturas atingidas aumentam a solubilidade de componentes tóxicos não o tornando um processo muito viável.
A recolha mecânica é ideal, salvo em difíceis condições atmosféricas, pois não fere o ambiente.
Na degradação biológica, as bactérias decompõem o petróleo em substâncias mais simples. Estas bactérias são extraídas do amido do milho, vivendo enquanto tiverem petróleo para degradar. Para digerir 1 litro de petróleo, as bactérias consomem o oxigénio de 327 litros de água, o que agrava o risco de asfixia do mar.
A absorção dos hidrocarbonetos derramados no mar e mesmo nas suas orlas costeiras espraiadas tem-se processado por acções à base de produtos inorgânicos (cinzas, lã de vidro) e de produtos orgânicos naturais e sintéticos. De entre os últimos (palha, féculos, etc) está Portugal, em conjunto com a Noruega e os EUA, a realizar estudos e testes para a aplicação da cortiça como absorvente de sucesso sobre as toalhas derramadas de hidrocarbonetos e igualmente sobre as areias por eles contaminadas.



Conclusão

O mundo parece estar a ficar cada vez mais dependente do petróleo, embora se procurem energias alternativas e renováveis. Parece evidente, que cada vez mais acidentes ocorrerão. A acção preventiva exige: um conhecimento exaustivo dos recursos marinhos e costeiros nacionais; dos projectos e cargas transportadas pelos navios cargueiros que atravessam a zona marítima portuguesa; a definição de zonas vulneráveis segundo critérios ecológicos e económicos e zonas de risco.

Face à dimensão que podem atingir os desastres com petroleiros, a prevenção e luta contra as marés negras tem levado a que os equipamentos e os meios de coordenação, por serem caros e com necessidades imprevisíveis, sirvam diversos países de cada região do Planeta.

A fiscalização, inspecção e vigilância de todos os navios com vista a punir os que não implementem as normas de segurança é outro ponto básico para a segurança dos navios e suas tripulações e consequentemente dos mares, e que envolve os meios da Marinha e Força Aérea. A fiscalização dos navios é um ponto muito importante na prevenção devido às condições precárias em que se encontram a maioria dos navios. Para a obtenção de mais lucros as empresas petrolíferas tentam comprar os navios mais antigos, mais baratos; contratam também tripulação barata, que sendo de várias nacionalidades não se unem e em situações de crise não tentam salvar nada.

Além dos navios deverem ser obrigados a cumprir regras mínimas de segurança, deviam também ter duplo casco que em caso de choque protegeria mais os tanques, podendo evitar muitos derrames No plano de combate a acidentes há três pontos que deveriam ser cumpridos: a protecção das zonas sensíveis; limpeza e restauro dos locais poluídos e o armazenamento dos resíduos recolhidos.



BIBLIOGRAFIA

Internet – Google: Poluição dos petroleiros e Wikipédia
Grande Enciclopédia do Conhecimento, volume n.º 13



Filipa Raquel Alves da Costa – n.º 10 – 6.º B
E.B 2,3 Dr. Leonardo Coimbra da Lixa, 2009

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