terça-feira, 17 de março de 2009

A diversidade da flora

A diversidade da Flora




O Brasil possui a maior biodiversidade vegetal do planeta, com mais de 55 mil espécies de plantas superiores e cerca de dez mil briófitas, fungos e algas, um total equivalente a quase 25% de todas as espécies de plantas existentes. A cada ano, cientistas adicionam dezenas de espécies novas a essa lista, incluindo árvores de mais de 20 m de altura.Acredita-se que o número actual de plantas conhecidas represente apenas 60% a 80% das plantas realmente existentes no país. Essa diversidade é tão grande que em cerca de 1 h da Floresta Amazónica ou da Mata Atlântica encontram-se mais espécies de árvores (entre 200 e 300 espécies) que em todo o continente europeu.A flora brasileira está espalhada por diversos habitats, desde florestas de terra firme com cerca de 30 m de altura de copa e com uma biomassa de até 400 t/h, até campos rupestres e de altitude, com sua vegetação de pequenas plantas e musgos que frequentemente congelam no inverno; e matas de araucária, o pinheiro brasileiro no sul do país. Alguns desses habitats são caracterizados por uma flora endémica característica.Os campos rupestres e de altitude que dominam as montanhas do Brasil central, por exemplo, apresentam uma grande variedade de espécies de velosiáceas, eriocauláceas, bromeliáceas e xiridáceas que só ocorrem nesse habitat. A maior parte da flora brasileira, entretanto, encontra-se na Mata Atlântica e na Floresta Amazónica, embora o Pantanal Mato-grossense, o cerrado e as restingas também apresentem grande diversidade vegetal.Algumas famílias de plantas destacam-se por sua grande diversidade na flora brasileira. A família das bromeliáceas, que inclui as bromélias, gravatás e barbas-de-velho, tem mais de 1.200 espécies diferentes. São as plantas espíritas mais abundantes em todas as formações vegetais do país, desde as1 restingas e minguais até as florestas de araucária e campos de altitudeOutras famílias importantes são a das orquidáceas; a das mirtáceas, que dominam a flora das restingas e da Mata Atlântica; a das lecitidáceas, que incluem dezenas de espécies arbóreas da Amazónia; e a das palmáceas, também representadas por numerosas espécies, boa parte de grande importância económica, como os palmitos, cocos eassais.
ÉSPECIES EXÓTICAS
Além das espécies nativas, a flora brasileira recebeu aportem significativos de outras regiões tropicais, trazidos pelos portugueses durante o período colonial. Várias dessas espécies de plantas restringiram-se às áreas agrícolas, como o arroz, a cana-de-açúcar, a banana e as frutas cítricas. Outras, entretanto, adaptaram-se muito bem e espalharam-se pelas florestas nativas a tal ponto que frequentemente são confundidas com espécies nativas.O coqueiro que forma verdadeiras florestas ao longo do litoral nordestino brasileiro é originário da Ásia. Da mesma forma, a fruta-pão com m e a jaqueira, originários da região indo-malaia, são integrantes comuns da Mata Atlântica. Além dessas, podemos citar a mangueira, a mamona, o cafeeiro e várias espécies de eucaliptos e pinheiros, introduzidas para a produção de madeira, bem como dezenas de espécies de gramíneas. É comum encontrar em matas degradadas ou brotadas em pastos ou terras agrícolas abandonadas uma grande proporção de espécies exóticas








PLANTAS MEDICINAIS
A diversificada flora brasileira é amplamente utilizada pela população, embora pouco se conheça cientificamente sobre seus usos. Por exemplo, um estudo recente realizado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi na ilha de Marajá, na Pará, identificou quase 200 espécies de plantas de uso terapêutico pela população local. A população indígena também utilizou e ainda utiliza a flora brasileira, porém tal conhecimento tem se perdido com sua aculturação. É provável que muitas espécies de plantas brasileiras tenham uso terapêutico ainda desconhecido. Esse conhecimento, entretanto, está ameaçado pelo desnatamento e pela expansão das terras agropecuárias.






BIODIVERSIDADE :SEM FLORA?
A preocupação com a intensa degradação da biodiversidade e dos ecossistemas tem levado a reflectir um pouco sobre o hábito, aparentemente tão inofensivo, de enfeitar as nossas casas e propriedades com as plantas da flora nativa? Preocupação, sim, pois a devastação da flora é causadora de vários problemas ambientais, como a perda de muitas, muitas mesmo (veja a lista acima), espécies de grande importância económica, estética, científica, genética e ecológica.

Escolhi falar sobre as bromélias, tão comuns nos jardins e nas praças, e que estão ameaçadas de extinção. Elas fazem parte de uma família de cerca de 3 mil espécies. Mas, não só a ornamentação (que traz grandes lucros aos comerciantes e estimula a colecta predatória) é responsável por esta ameaça de extinção das bromélias. Há também a devastação de seus habitats naturais, por aqueles que a julgam proliferara de insectos responsáveis pela transmissão de doenças como a malária e o denegue.Felizmente, há pessoas do Bem, como o produtor
Rogério Dosouto, proprietário do Viveiro Adónis, no Parque Cerros Verdes, na região da Serra da Cantareira, em São Paulo (SP), que, além de produzir diversos tipos de plantas ornamentais e árvores nativas para reflorescimento, tem se interessado pelas bromélias. Em 1994, começou a desenvolver técnicas para a multiplicação de bromélias.Pesquisas como estas são importantíssimas, pois, as mudas produzidas em viveiros é uma alternativa para diminuir, e, quem sabe, acabar, com a colecta predatória e devastadora do ambiente. Assim, os paisagistas e consumidores, como nós, que desejamos proteger nosso habitat, não temos mais desculpas pela extracção das espécies das matas. Isso demonstra uma atitude inconsciente, pois as bromélias exercem importante papel no equilíbrio ecológico, como alimento, moradia e refúgio para inúmeros seres vivos - desde protozoários até mamíferos.
Pois é, pessoal, a nossa consciência ambiental precisa estar acima da moda de fazer jardins em nossas propriedades, e nos fazer lembrar sempre que, devido à grande procura de mudas de flores, principalmente as bromélias, a mata nativa corre grave ameaça de extinção de várias de suas espécies. Por lei, apenas o comércio de bromélias cultivadas em viveiros é permitido; extraí-las da mata é ato punível com apreensão da planta e multa que pode chegar a 50.000 reais. Será que são necessárias medidas tão severas para que as nossa flora sejam protegidas?
Vamos, sim, cultivar nossas plantinhas, mas com mudas legais, ouviram! Não há necessidade de se depredar a natureza. Casa linda e natureza preservada são algo que precisa ser bem equilibrado. Então, da próxima vez que nós formos comprar uma muda de planta, seja ela bromélias ou outra espécie, tenhamos o cuidado de observar a procedência dela, fazendo, assim, a nossa parte para preservar as plantas que estão ameaçadas de extinção, está certo?











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